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Da negligência a agressão física, violência contra idosos precisa ser freada para garantir envelhecimento saudável


Notícia publicada em 14 de junho de 2017

Em meio aos avanços tecnológicos que vivemos atualmente com pessoas mais conectadas virtualmente e com maior acesso a todas as áreas do conhecimento, a sociedade ainda custa lidar com algo tão natural a todo ser humano – o envelhecimento.Idoso

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) o número de brasileiros com mais de 60 anos é de 26,1 milhões no país e deve triplicar até 2050. Uma população vulnerável. A cada 10 minutos, um idoso é agredido no Brasil. É o que aponta os dados do Disque 100 do Ministério dos Direitos Humanos.

De acordo com a Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, a maioria das violações acontece dentro da casa e são cometidas por familiares dos idosos. Neste 15 de junho: Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa é preciso fazer um alerta. ‘‘A sociedade precisa se preparar para lidar com o envelhecimento’’, afirma a diretora da Casa do Ancião São Vicente de Paulo, Ione Braga.

VULNERABILIDADE

‘‘A Casa do Ancião é assistida pelo Estado através da Secretaria de Estado da Assistência e do Desenvolvimento Social (Seas) com capacidade para 30 idosos e os idosos que chegam aqui são aqueles que estão com risco de vulnerabilidade social. O abandono é a principal violência sofrida por esses idosos’’, destaca a diretora.

A situação é preocupante. Com uma sociedade que não sabe lidar bem com o envelhecimento, muitos idosos são excluídos do convívio familiar. ‘‘Todos os dias chegam à nossa porta filhos querendo largar os pais, netos querendo deixar os seus avós, sobrinhos nos entregando seus tios. Não estão preparados para cuidar dos idosos’’, considera Ione.

Para a diretora, é preciso romper com esse problema cultural que alimenta o ciclo de abandono dos idosos. Um processo que requer tempo, mas que é preciso dar o primeiro passo hoje. ‘‘Nós precisamos trabalhar com nossos filhos em casa e nas escolas desde o jardim de infância a importância do cuidado aos idosos’’, aponta.

Idosos que não recebem o carinho, o amor e os cuidados da família acabam por terem impactos negativos não só no desenvolvimento físico, mas também emocional e social.

‘‘Nós vemos idosos de mais de 70 anos ativos como o meu próprio pai, mas também encontramos aqui na Casa idosos até mais novos que ele que são totalmente dependentes e o que torna eles dependentes é o abandono’’, avalia a diretora.

Situação que Soeli Cavalee, técnica de enfermagem da instituição há 13 anos, conhece de perto. ‘‘Já vi muitos casos de parti o coração. Idosas que dormiam no chão. Outros que chegam aqui muito mal cuidados, sujos, descalços, doentes, em situações degradantes’’, relata.

CONCIENTIZAÇÃO

Durante a última década, mas que um trabalho, Soeli tem encarado a missão de contribuir para a construção de uma sociedade mais digna aos idosos. ‘‘Quando a pessoa envelhece ela precisa de muito cuidado, muita atenção até mais que uma criança. É preciso ter muita paciência e procurar entender aquilo que eles querem’’, ensina.

Paciência é o que mais tem Soeli. Com dedicação e muito amor, ela conquistou a confiança dos idosos, inclusive alguns deles só aceitam participar de certas atividades como passeios pela cidade se a técnica de enfermagem estiver presente.

Outra que também tem o desafio de tornar o dia-a-dia dos idosos mais feliz é a enfermeira Márcia Fonseca que trabalha na casa há sete anos. Ela afirma que os idosos recebem um cuidado completo na Casa.

Banho, alimentação, higiene pessoal e acompanhamento médico fazem parte da rotina deles. ‘‘Fazemos encaminhamento para consultas médicas, cirurgias, tratamos as feridas, todo tipo de cuidado. Fazemos passeios com eles uma vez por mês e nós percebemos que eles gostam muito quando recebem visitas’’, destaca.

GRATIDÃO

Os idosos agradecem pelos cuidados que recebem. ‘‘Não tenho do que reclamar. A nossa alimentação tem o controle do sal, açúcar, óleo devido os problemas de saúde que muitos tem aqui’’, disse Samuel Miguel da Silva, 61 anos, que chegou a Casa doente e disse ter ganhado mais qualidade de vida. Vicente Vieira,74 anos, vai além. ‘‘Melhor do que aqui só no Céu’’, afirma. Outro que também se mostra contente é Edilson Brasil, 67 anos.

‘‘Essas meninas que cuidam da gente são mais que especiais. Essa Casa é uma benção de Deus. Se não fosse os cuidados que recebo aqui eu não sei o que seria de mim’’, afirma Edilson que é deficiente visual. Mas é Antônio Cardoso, 76 anos, que sintetiza o sentimento de muitos. ‘‘Estamos nos meio de estranhos, mas são estranhos bons’’, conclui.

‘‘Aqui eles são tratados com muito amor, mas nós não substituímos a família’’, pondera a diretora. A enfermeira Márcia faz um apelo. ‘‘Todos nós vamos envelhecer, então vamos repensar mais em como estamos tratando nossos idosos’’, disse.

De acordo com a diretora, cerca de 30 profissionais fazem parte do quadro de funcionários da Casa com atuação multidisciplinar. A instituição de longa permanência também está aberta para receber voluntários e doações. O agendamento é feito pelo 3216 5105. A Casa do Ancião São Vicente de Paulo está localizada na rua Tenreiro Aranha, 2062, no centro de Porto Velho

 

Assessoria

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